Ha tempos estou querendo abordar este assunto e esta semana um post da Fast Co me deu o “start”. Apos tanto se falar sobre a importancia de os homens de negocios pensarem como designers, algumas pessoas comecaram a pensar no caminho inverso: tornar designers mais business-minded. A trancos e barrancos eu tenho feito isso (principalmente qdo lecionava em cursos de graduacao): sempre incentivei meus alunos a lerem publicacoes de negocios para ampliarem o repertorio e se familiarizarem com os termos e dinanimica das empresas. No fundo, a ideia era que eles pudessem ser mais empaticos com seus clientes, entendendo que por mais que o “usuario” seja importante no processo, outras coisas tambem importam tanto quanto. Muito antes de Steve Jobs ser reconhecido como genio novamente, meus alunos em Design de Interacao ja eram familiarizados com as estorias do Vale do Silicio. Mas esta pratica era uma anomalia. Eh uma anomalia nas Escolas de Design.

Vou tentar explicar a razao.

Quando um aluno escolhe estudar Design ele tem de optar por uma das especializacoes do Design. Mesmo que o ciclo basico seja comum as areas especialistas, a graduacao sera dada em uma area especifica: grafico, produto, moda, ambientes, para citar as mais comuns.

O que toda especializacao em qualquer “design” tem em comum eh o design thinking, ou seja, o mindset que se traduz em uma metodologia basica e n metodos. O Design Centrado no Usuario (DCU), metodologia que se desenvolveu na especialidade Design de Interacao (antes IHC) acabou sendo apropriada pelas outras especialidades e, hoje, qdo se fala em Design Thinking – a forma como designers resolvem problemas e detectam oportunidades de inovacao -  eh disso que estao falando. Resumidamente, o processo de solucao de problemas envolve estas etapas (nao necessariamente nesta ordem):

1.imaginacao

2.observacao

3. análise

4. sensemaking

5. prototipação/teste

6. produção

 

Sem duvidas, a mais complexa, a etapa mais dificil de se ensinar tanto para designers qto para leigos eh o SENSEMAKING. Conectar dados, entender uma serie de informacoes de fontes diversas, seleciona-las, rearranja-las… e sinteriza-las em uma proposta conceitual. Essencialmente, isto eh design. Propostas de interpretacao. Dai seu poder. Dai Daniel Pink dizer que estamos na Era do Conceito. Fato.

SenseMaking merece um post. Varios. Mas voltemos a questao de Design e Business. As Escolas de Design formam especialistas. Sempre foi a proposta. Para atuarem em esferas mais estrategicas do negocio, designers tem de adquirir uma serie de competencias que extrapolam sua especialidade. Eu aprendi na pratica, participando de projetos estrategicos para o negocio de grandes empresas. Foi uma trajetoria muito particular que pode ser facilitada  aos novos designers se as Escolas de Design entenderem as novas demandas que o Seculo XXI reserva para seus alunos. Explico.

Basicamente, descobriu-se que Design Thinking pode ser aprendido por qualquer um e que seu poder de transformacao das realidades eh algo do qual nao se pode abrir mao. Paralelamente a este fenomeno, outro comecou a chamar a atencao no Vale do Silicio: a quantidade de Start ups bem sucedidas que tem/tiveram em sua formacao societaria DESIGNERS. Sim, o estranhamento existe porque, ate entao, este era um dominio de caras de tecnologia (os Engenheiros) e business (os MBAs). O artigo cita  alguns exemplos de empresas co-fundadas por designers: YouTube, Tumblr, Airbnb, Android, and Flickr.

Desde o Forum de Davos em 2006, a literacia em design passou a ser uma desejavel competencia nos executivos. Agora, eh hora de os designers ganharem maior literacia em business. Justo, nao?

O Sebrae poderia oferecer um curso focado em desenvolver o empreendedorismo dos Designers. O que vcs acham? A IDEO lancou recentemente uma “incubadora” com este proposito. E estou desenhando para o Isvor Fiat  um programa de Design Mindset para Lideranca. Estou trabalhand, entao, nas duas vias: ajudando designers a terem visao de negocios e tambem a formar lideres com design mindset.

Estas iniciativas do Design Fund e da Ideo em incentivar “design-driven start-ups” eh um bom sinal do tipo de empresas que vem pela frente. Empresas onde a triade: desejo, factibilidade e viabilidade estao no dna do negocio. Onde engenharia, financas e design trabalham colaborativamente. O mundo nunca foi tao promissor para os designers. Pelo menos para os designers que estao dispostos a aprender novas competencias, a pensar fora da caixa (de texto), rs

 

“When I’m talking about design, I’m not just talking about the visual layer that everyone seems to think of when they hear the word,” Allen asserts. “We really believe that designer-founders need to be able to guide the product and organization through ‘the full stack’: user research, interaction design, information architecture, all the way to the interface, and everything in between.”

Para fechar, deixo vcs com uma lista de Designers que ocupam hoje cargos de lideranca em grandes empresas. Tirei a lista de um excelente artigo da DMI Review. Quem assistiu minha palestra no NJeitos ja conhece. E um que nao estava na lista, MAURO PORCINI acabou de ser contratado para o cargo CHIEF DESIGN OFFICER  na Pepsi Co. Isto é só o começo…

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